Divagações...

Porque o mais importante é se amar – acima de tudo

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Na infância, era chamada de “cabelo ruim” pelos colegas da escola. Sua mãe a penteava, todos os dias, e prendia bem os cabelos para que nem um fio saísse do lugar, e assim ninguém risse dos seus cabelos “altos”. Na adolescência, tinha vergonha de ser muito magra, de ser uma “nerd”, de preferir os livros às festas, de seu ~ ainda ~ cabelo “alto”. E era, mais uma vez, alvo de “algumas” piadas, por ser “bv”, “feia”, “inocente”, “criança”, com todas essas aspas. Quando encontrou alguém que a amasse, continuou se sentindo estranha, pouco confiante, e sucumbia facilmente ao “você ficaria bem melhor com cabelo liso”, “você está tão gordinha” ou ao “a namorada de fulano é cheia e tem cabelo assanhado”. Por isso, emagreceu, mudou o cabelo e, com isso, sua essência, sua segurança, o pouco de confiança que ainda tinha na vida e em si. Anda por aí se comparando, se medindo, invejando, sendo “a recalcada de plantão”, sentimentos plantados por aqueles que, em não sabendo aceitar, julgam, maltratam, rebaixam, querem igualar o ~tão lindo~diferente. E sempre quis mudar mais, colocar silicone, sem loira, ter as pernas torneadas, e nunca, nunca mais, voltar a ser “a gordinha de cabelo assanhado”, ou melhor, tinha verdadeiro pavor disso tudo. Com a confiança minada, o cabelo alisado com muito formol e com a vontade de mudar cada vez mais o que era, ela foi seguindo sua vida. Por um tempo, pensou ser menor. Por um tempo, pensou que o amor era, para ela, um favor. Por um tempo sentiu que ser quem era, como Deus a tinha feito, era insuficiente. Que blasfêmia.

Mas naquele dia não. Naquele dia, por um “passe-de-mágica-de-fada-madrinha”, ela entendeu que aquele lindo cabelo comprido de raiz cacheada não era seu. Ou somente a parte da “raiz cacheada” que era sua. Com muito orgulho. E desse pequeno grão de orgulho, somado a um monte de meninas inspiradoras que, iguais a ela, tinham cabelo ruim (#IntimasdaRay), foi que a menina se transformou, e dessa vez bem mais do que esperava. De agora em diante, ela seria a “mulher-dos-lindos-cachos-rebeldes, a magrinha-que-ama-comer, a garota que se veste como gosta, sem precisar da opinião de ninguém. E dessa pequena transformação, veio a aceitação, e da aceitação, o amor. Um amor tão grande que a preencheu por inteira, desfez estereótipos, comparações, invejas e recalques, e que construiu confiança, autoestima, autoconhecimento e, ouso acrescentar, autoamor.

E pra essa menina que, como qualquer um de nós, aprendeu uma das mais importantes lições que a vida pode ensinar, o que veio a seguir foi tudo de melhor que pudermos desejar, pois dessa vez as vozes que a “objetivaram” não eram tão ouvidas, as críticas não a atingem mais e os elogios, antes tão raros, vieram com força total. A menina do cabelo-ruim virou uma mulher linda e cheia de vida, e como muitas outras por aí, se ama e deixa ser amada, porque merece.

As mudanças? Hoje ela não deseja mais! Pois se aceita e sabe que, de verdade, é linda do jeitinho que é. E assim ela foi feliz para sempre…

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4 comentários em “Porque o mais importante é se amar – acima de tudo

    1. kkkk é mesmo! Mas vez ou outra me pego me comparando com os outros, e com a “ideia” de beleza imposta pela sociedade. Ridículo isso, né?
      Acho que cada um deveria valorizar sua beleza natural, ao inves de tentar mudar quem é!
      Xero

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