Divagações...

Em defesa da liberdade de sermos quem quisermos ser

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– Você não pode fazer isso, porque você é menina!

– Se sente direito, não é assim que uma mocinha deve sentar!

– Filho meu não usa rosa!

– Homem não chora!

Acho que vocês já devem ter ouvido alguma (ou todas!) dessas frases na vida de vocês, não é? Eu mesma, acho que desde sempre, escuto que isso ou aquilo é “coisa de menina” ou “coisa de menino”… Desde minha primeira infância, vejo que “temos” que ser desse ou daquele jeito, ou que “podemos” ou não fazer tal coisa, por causa de nosso “sexo”, de nascermos menino ou menina. E, sério, sempre achei isso muito chato (isso quando era criança). E como em minha casa são três meninas, crescemos com aquela obrigação de sermos “como Roberta” ou “como Karina”, ou como qualquer outra pessoa que fosse vista como “padrão”. Lembro que um primo meu odiava quando eu ganhava alguma brincadeira que envolvesse força ou velocidade, ou quando eu chamava mais a atenção do meu avô, e aí ele usava sua “força” e me batia. Sei que éramos crianças, e hoje rio muito com tudo o que passamos, mas aprendi que não quero que meu filho (menino!) seja assim…

Com o passar do tempo, foi um pouco difícil para as pessoas aceitarem que eu não era como minha irmã, extrovertida, cheia de amigos, vaidosa, desinibida; eu era aquela garota meio estranha, uma “cdf” para muitos, a menina que gostava de ficar em casa e ler, aquela que era “boazinha” demais. Houve, inclusive, uma vez em que minha mãe teve que me implorar para ir a uma festa da escola, e quando cheguei lá e vi que não me encaixava, e liguei para ela vir me buscar, ela ficou com muita raiva, e me disse que eu era “muito estranha”, e “por que não podia ser ‘normal’ igual a sua irmã”. E eu nunca entendi essa história de ser “normal”.

Na hora de escolher o curso no vestibular, o que eu queria fazer era “curso para segunda opção” e “quem faz esse curso é vagabundo”; eu “deveria fazer Direito, que é um curso de ‘futuro’”. E assim, fiz! Passei cinco anos de minha vida em um curso no qual eu não me identificava, pensando que um dia, serviria para mim… Mas não serviu!

Hoje, no alto dos meus 26 anos (hehehe), vejo que não valeu a pena ouvir tanto sobre o que eu “deveria” ou “poderia” fazer, e que não são pessoas, ou convenções, ou paradigmas da sociedade que te definem. Tudo bem jogar futebol se você quiser (mesmo sendo menina), tudo bem ser “cdf” (ou não), ficar em casa em vez de ir a festas, tudo bem fazer Direito, ou Medicina, ou Letras, ou Biologia, ou qualquer coisa que você QUISER! O verbo QUERER deveria ser mais utilizado, sabia? Deveríamos (ou devemos) ter o direito de sermos livres, de escolher nossos próprios caminhos, de fazer o que tivermos vontade, de sermos apoiados nas nossas escolhas… E mais, seria bom também respeitarmos as vontades dos outros, em vez de criticar, rir, julgar, quem escolhe um caminho diferente do nosso.

Hoje, sou casada, tenho um filho lindo, trabalho em uma empresa pública, tudo isso porque eu quis. Sou “escritora” amadora, leitora compulsiva, caseira e viciada em viagens porque eu quero. Sou meio menina, meiga, ingênua, adoro cuidar da casa e fazer comida pra minha família porque eu quero, não porque nada me é imposto. E tudo bem se você não quiser casar, não quiser ter filhos, não quiser viajar… Tudo bem se você ama festas (ou não!), é um mulherão (ou não!), é corajosa (ou não!), é “feminina” (ou não!), porque o que realmente importa, de verdade, é a liberdade de escolhermos o caminho que queremos traçar. Isso ninguém deve, e nem pode, tirar de nós! Somos livres pra trilharmos nossos próprios caminhos e fazermos nossas próprias escolhas, tendo tão somente Deus como nosso guia… Mais, respeitemos a liberdade dos outros, de serem quem quiserem ser…

Hoje, não me importa se meu pai queria que eu fosse menino, se minha mãe queria que eu fosse mais extrovertida, se o mundo quer que eu seja uma “dona de casa perfeita” ou uma “mulher desimpedida”, o que me importa é ter a LIBERDADE de ser quem eu quiser ser, e não é ninguém que irá me impedir de fazer minhas próprias escolhas.

Não sejamos algemas, que prendem a nós mesmos ou aos outros, sejamos asas, voemos, e deixemos os outros voarem. Que nossos filhos possam ser ensinados nessa “liberdade”, que saibamos aceitar melhor uns aos outros… Só acho!

Beijos!!

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Mensagem do Dia – Gálatas 5: 1 Foi para a liberdade que Cristo nos libertou.

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6 comentários em “Em defesa da liberdade de sermos quem quisermos ser

  1. Quando você comenta de ser “cdf”, adorar viajar, ser compulsiva por livros, já me imagino. Eu nasci sem irmãos por parte da minha mãe e primas eu só tive bem mais velhas. No começo era bacana elas brincarem comigo pois eu parecia uma boneca viva, mas depois que nós fomos crescendo, essa atenção caiu. Meus primos da minha idade me aceitavam no meio das brincadeiras, tanto que eu brincava de “arma”, jogava futebol, andava de bicicleta, me embrenhava no mato, me jogava no riacho… sempre fui mais “menino” que “menina”, tanto que quando chegou a fase de todos começarem a se ver de outra forma, eu era muito ingênua para entender. Acho que eu sim tive uma infância saudável (mesmo tendo que fugir do meu padrinho por nao poder brincar com os meninos). Apoio sua iniciativa de nao incluir o Davi nos padrões, acho que essa vai ser uma ótima lição pra ele!
    Beijão Mari, adorei demais seu texto!

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    1. Obrigada Bruna! Eu simplesmente tenho “pavor” a estereótipos. Não gosto que me reduzam a definições de gênero ou personalidade, e creio que ninguém deveria impor algo desse tipo a alguém…
      Quero que Davi tenha essa liberdade de ser quem é, sem medo do que irão pensar!
      Bjuss

      Curtido por 1 pessoa

  2. Oiii flor!!! Nossa… que texto incrível!!! Poxa bem absurdo sua mãe te falar que vc era estranha hein?! Acho que nós devemos respeitar a forma como cada um é! Eu tbm em muitassss coisas sou diferente do que a minha mãe gostaria, mas nem por isso deixei de ser quem eu era… ela ainda tem um pouco de dificuldade de “aceitar” algumas opções minhas, mas ela respeita! Tbm entrei na faculdade em um curso que não gosto pela pressão de fazer o q os outros queriam… aliás, estou nessa ainda… rs…. muito bom para a gente refletir flor… arrasou! Um beijo!!

    http://www.amigasevaidosas.com

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    1. Pois é, Ellen, sempre tem isso de que temos que seguir esse ou aquele caminho, acho que não devemos sonhar os sonhos dos outros, e apenas deixar que cada um trilhe seu próprio caminho… Quanto ao curso, no meu caso em particular, não valeu a pena, mas sinceramente acho que não mudaria nada, ou sim, sei lá!!
      Bjuss e obrigada!

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  3. Mari, esses dias mesmo li alguma coisa e pensei numa frase que fez sentido pra mim: o mundo nos dá muito mais algemas do que asas.
    É uma verdade triste… Mas lendo seu texto pensei que quem dá as algemas é o mundo externo, a sociedade, às vezes até a família. Mas temos um mundo interno que certamente preza pela liberdade e pode nos dar as asas que tanto queremos. Às vezes (ou sempre) é difícil ir contra o que o mundo coloca como “certo” e ouvir nosso coração, mas cada vez mais acredito que esse é o caminho e tenho tentado fazer as mudanças necessárias aos poucos (porque tem coisas muuuuuito sérias envolvidas, não é mesmo?).
    Também sempre fui um pouco estranha (acho que mais para os outros do que pra mim mesma) e sentia não me encaixar. Mas depois achei pessoas como eu e vi que seguir com a maioria nem sempre é o melhor caminho. Lembrei de uma frase que vi esses dias: “Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente.”(Jiddu Krishnamurti). Então acho que nesse caso não se adaptar não é mal sinal.
    Enfim, que possamos fazer mudanças na nossa realidade dentro daquilo que acreditamos!

    Adorei o texto e posso dizer que concordo com tudo!!!
    Beijão!

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